Nas semanas seguintes, Richard começou a notar detalhes. Em sala, Lu escrevia bilhetes com uma letra angular, às vezes rabiscando a mesma sequência de números — 1-2-2 — intercalada com desenhos de panteras esguias. Quando perguntou, ela deu um sorriso rápido e mudou de assunto. No recreio, Marina segurava a mão da amiga com firmeza. A amizade parecia um campo magnético. E quando Richard ponderava com a filha sobre responsabilidade, ela respondia com a sabedoria abrupta dos dezesseis anos: “Pai, amizade é um território que a gente não patrulha.”
Marina estava lá também, com face molhada, uma xícara de chá nas mãos. Abraçou Lu com força quando Richard entrou, e por um instante o mundo pareceu encaixar. Explicaram: eles fugiram porque queriam espaço para criar, porque, segundo Lu, as vozes de jovens eram continuamente silenciadas; a fuga era uma forma de existir em conjunto. O armazém era sua resistência. As Panteras 122 Amiga de Minha Filha -Richard d...